Atualizar é preciso

Há muito e por reiteradas vezes, a Fetcesp tem se manifestado a favor de uma mudança radical nos objetivos do Circulismo, sem contudo sugerir a alteração de sua missão original, qual seja a assistência e promoção do trabalhador e da população em geral. A proposta tem quatro vertentes: a primeira delas trata de atualizar nossas ações, abdicando de muitos serviços que prestávamos, hoje proporcionados pelo governo e instituições específicas. Neste sentido achamos que é hora de dedicarmos nossa atenção e programas preferencialmente ao atendimento da terceira idade, estrato etário que aumenta em números exponenciais. Estatísticas oficiais apontam que o crescimento do número de idosos nos próximos anos é irreversível, e há um mundo de atividades que podemos desenvolver nesta área.20160905083439_000010002

O fenômeno da longevidade não é temporário ou um fato localizado apenas em cidades desenvolvidas. Ele acontece em todos países e em todas regiões, mesmo as mais pobres. O mundo se globalizou, o progresso da medicina e o conhecimento sobre alimentação e saúde se fazem presentes nos mais recônditos rincões. Por outro lado, os índices de natalidade acusam uma queda brutal. Num futuro bem próximo a população idosa suplantará a de adultos.
Pelo que conhecemos do serviço público, sabemos que será impossível que os órgãos governamentais atendam esta demanda não só na área da saúde, mas nas múltiplas necessidades da terceira idade.

E, quando falamos de atendimento à terceira idade, não caímos no reducionismo de infantilizar idosos oferecendo-lhe apenas bailes, passeios e viagens, jogos de salão e programas desta ordem. Nada contra este tipo de serviço, aliás, eles devem ser incentivados, mas o projeto da Fetcesp não se encerra aí. Lutamos para que a sociedade e a família aceitem e incorporem o idoso dentro de sua própria individualidade, sua capacidade intelectual, experiência e condição física. Isso implica em mudança de hábitos, costumes e promulgação de leis, o que vai exigir tenacidade e absoluta confiança na proposta, pois a luta com certeza será árdua e longa. Vide o que aconteceu com negros, homossexuais, direito de mulheres e minorias em geral.

Sedes de círculos são locais propícios a este tipo de discussão e debate. Ao mesmo tempo em que um filiado oferece serviços como cursos de informática, arte eartesanato, incentivo ao trabalho voluntário e maneiras criativas de geração de rendas, por exemplo, pode-se manter um debate constante sobre direitos do idoso, trazendo às nossas sedes geriatras, sociólogos e especialistas que venham enriquecer tais discussões.
Um grande círculo de São Paulo, o de Vila Prudente, já vem trabalhando neste sentido, criando o GETI (Grupo de Estudos da Terceira Idade), que tem apresentado à subprefeitura do bairro e aos governos municipal e estadual propostas que visam melhorar a vida de idosos, entre elas a implantação de parques e redesenho de praças e mudanças significativas no Plano Diretor da cidade.

O segundo item que defendemos é que as novas unidades circulistas sejam implantadas na periferia das cidades, em locais em que nossa presença se faz mais necessária. Nos dias atuais, a esmagadora maioria de filiados está instalada em regiões onde mal ou bem a população já é servida por serviços básicos. De forma geral, o Movimento Circulista se aburguesou.

O terceiro ponto da proposta é a profissionalização das unidades circulistas e das próprias federação e confederação. Não se pode admitir nos dias atuais,com tecnologias e situações sociais  que se alteram em velocidade vertiginosa, que unidades circulistas fiquem nas mãos apenas de voluntários sem conhecimento das variadas ferramentas necessárias para a gestão e  autossustentabilidade.

Por derradeiro, mas não menos importante, é fazer com que cada filiado seja uma caixa de ressonância da comunidade, um fórum de debates dos problemas locais, enfim, ter uma participação política efetiva, isso tudo sem partidarização ou defesa de ideologias que fujam aos nossos princípios. Uma proposta tão clara e evidente até agora não mereceu a mínima atenção, ou comentário da CBCO – Confederação Brasileira dos Círculos Operários, instituição que acaba de vender enorme terreno em Brasília para subsistir.

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