Arquivo mensal: dezembro 2015

Um exemplo para a Nação – Ministra Carmen Lúcia

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Ministra do STF – Carmen Lúcia

Por ocasião da prisão do senador Delcídio do Amaral – PT e do banqueiro André Esteves, a ministra do Supremo Tribunal Federal – STF, Carmen Lúcia, fez pronunciamento histórico. Disse ela:
”Na história recente da nossa pátria, houve um momento em que a maioria de nós, brasileiros, acreditou no mote segundo o qual uma esperança tinha vencido o medo. Depois nos deparamos com a Ação Penal 470 e descobrimos que o cinismo tinha vencido aquela esperança. Agora parece se constatar que o escárnio venceu o cinismo. O crime não vencerá a Justiça. Aviso aos navegantes destas águas turvas de corrupção e das iniquidades: criminosos não passarão a navalha da desfaçatez e da confusão entre imunidade, impunidade e corrupção. Não passarão sobre juízes e as juízas do Brasil. Não passarão sobre novas esperanças do povo brasileiro, porque a decepção não pode estancar a vontade de acertar no espaço público. Não passarão sobre a Constituição do Brasil”.

A Fetcesp enviou carta à ministra Carmen Lúcia elogiando sua atitude, descrita a seguir:
São Paulo, 2 de dezembro de 2015

Exma. Sra.
Carmen Lúcia
D. Ministra do Supremo Tribunal Federal

O pronunciamento de V. Exa, feito por ocasião da prisão do senador Delcídio do Amaral e do banqueiro André Esteves, deveria ser gravado em granito, colocado no frontispício das escolas de Direito e do próprio Supremo. Declarações como esta são dignas de passarem para a história como marcos de decência, determinação e honradez.
Há mais de 80 anos propugnando pela promoção do trabalhador em suas múltiplas necessidades, mas sobretudo por sua elevação moral, sentimo-nos com a alma lavada, com a certeza que, apesar do furacão de descalabros que atinge a Nação, ainda resta uma esperança ao povo brasileiro.
Engrandecemo-nos todos com a grandeza de V.Exa.

Newton Zadra – presidente

Renovar objetivos mantendo a missão

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Newton Zadra – Presidente da Fetcesp

Tenho propugnado que o Movimento Circulista mude seus objetivos originais, focando suas ações preferencialmente ao atendimento do idoso, pessoas com idade superior a 60 anos. O que proponho é quase uma refundação do circulismo. A opção não é aleatória ou fruto de capricho pessoal, mas resultado de análise pragmática, experiência cotidiana acumulada nos 35 anos de militância, e na surpreendente verificação dos últimos censos demográficos.
Em nosso trabalho “Novo Circulismo”, editado há cerca de 10 anos, mostramos como e porque o Movimento atingiu seu auge e como aconteceu sua decadência, que acabaria por torná-lo mera sombra do que havia sido nos seus áureos dias.
Por ocasião da fundação do circulismo por padre Leopoldo Brentano e durante bom tempo, os serviços que prestávamos aos trabalhadores eram absolutamente necessários, muitas vezes únicos. Havia poucos médicos, dentistas, escolas profissionalizantes e de formação moral. Sindicatos, quando existia, eram uma extensão espúria do patronato e, via de regra, dominados por dirigentes “pelegos”, o que contribuía para o subjugo do operário e incentivava a infiltração do comunismo, que “vendia” sua filosofia de luta de classes e mais valia.
Como braço social da Igreja Católica e utilizando a infra-estrutura logística desta, o circulismo chegou a todos rincões do Brasil prestando inegáveis serviços aos operários, contribuindo também para a promulgação de leis trabalhistas e a consolidação do regime democrático. Isto é história e ninguém vai mudar, mas o tempo passou. Paulatinamente, os programas que mantínhamos foram sendo arcados pelo governo, por outras instituições especializadas como o INSS, por escolas técnicas como o Senai e por um sindicalismo profissionalizado.
A Igreja, nossa tutora e grande parceira, nos abandonaria em 1952, com a fundação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), passando a realizar ações sociais por meio de suas Pastorais.
Com objetivos ultrapassados, sem apoio da Igreja e com a equivocada orientação da Confederação e das federações, cada filiado tomou a liberdade de desenvolver seus próprios programas, optando na maioria das vezes por ações irrelevantes e sem nexos com a missão do Movimento. Diante deste quadro, era natural que a situação se agravasse e isso redundaria no fechamento de mais de uma centena de filiados. Muitos subsistiram, mas em sua maioria viraram apenas inexpressivos clubes de serviço.
A terceira idade
Estatísticas oficiais dão conta que a população com idade superior a 60 anos é a que mais cresce no Brasil. Não só isso – ela cresce em números exponenciais, cerca de 4% ao ano com tendência a subir.
Com o avanço da medicina, o conhecimento mais profundo de alimentação, cuidados com a saúde, as facilidades da vida moderna e o baixo índice de natalidade, hoje a média de expectativa de vida alcançou o patamar de 75,2 anos. Para comparação, lembramos que em 1900 a expectativa de vida era de 34 anos e, em 1930, por ocasião da fundação do circulismo, era de 36,5 anos.
Estes dados extrapolados e interpolados indicam que em 2030 haverá uma população de 41,5 milhões de pessoas com idades acima de 60 anos. Hoje, este número é de 24 milhões.
Por conseguinte, é fácil deduzir que o Poder Público não tem e não terá condições de atender este assombroso contingente de idosos, não só porque lhe faltam condições técnicas e recursos financeiros, mas também porque as cidades não foram projetadas para acolher este (novo) estrato etário. Há pouquíssimos parques, áreas de lazer e equipamentos de cultura. Por outro lado, a legislação que trata do problema do idoso é arcaica e a própria sociedade (e até a família) o considera um empecilho. Na maioria das vezes, o envelhecimento é marcado pelo isolamento social, dificuldades econômicas e até marginalidade.
Para mudar esta situação é necessário que todas as forças vivas da sociedade se unam e estabeleçam métodos de ação e quebrem tabus. Há um campo enorme para trabalhar para o idoso, desde a prestação de uma infindável gama de serviços, como a luta pela promulgação de leis que contribuam por sua valorização. Uma batalha desta grandeza, que visa modificar paradigmas de comportamento estratificados há milênios e arraigados na sociedade, só será vencida com estoicismo e determinação. O Circulismo com seus ideais de promoção do ser humano pode dar grande contribuição neste embate.
É evidente que uma mudança de objetivos desta envergadura não poderá ser implementada de uma hora para outra, e nem é esta nossa proposta. Contudo, é preciso tomarmos posição e colocar a proposta para discussão e aperfeiçoamento.
A Fetcesp e eu, em particular, temos um cabedal imenso de informações a respeito da opção de trabalho para a terceira idade. Estamos à disposição do Movimento Circulista.

Homenagem a Urbano José Luchini

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Urbano José Luchini * 1925 + 2015 Circulista Emérito

Momentos antes da realização da Assembleia Geral Ordinária, a direção da Fetcesp prestou homenagem póstuma a Urbano José Luchini, descerrando sua foto na galeria de presidentes e personalidades do Movimento Circulista paulista.
Falecido recentemente, Luchini foi por meio século a alma do Círculo de Trabalhadores Cristãos de Rio Claro, seu grande incentivador, e exemplo ímpar de retidão de caráter, razão direta do alto conceito que goza o Círculo na cidade.
Afora seu trabalho no CTCRC, Luchini foi também um líder comunitário, participando ativamente nas associações religiosas, sempre de maneira voluntária e discreta.
Falando em nome da Fetcesp, por ocasião da solenidade, os diretores João Rosa e Newton Zadra relembraram com emoção a vida de Urbano José Luchini, uma bandeira imorredoura do Movimento.
Antonio Domingos Luchini, João Roberto Henriques, Eduardo Ferreira e Sergio Luiz Luchini, diretores do CTCRC e parentes de Luchini, estiveram presentes ao ato, agradecendo a iniciativa da Fetcesp.