Discurso de posse na presidência da Fetcesp em 2014

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Newton Zadra, presidente da Fetcesp

É uma honra ter sido escolhido para mais um mandato à frente da Fetcesp. Creio que isso se deve não tanto aos meus predicados e ao trabalho que realizamos, mas muito mais  à exiguidade de quadros do Movimento Circulista e, sobretudo, à generosidade de vocês. Não faço esta afirmação por falsa modéstia, mas como dolorosa constatação do período que atravessamos.
A falta de renovação de quadros é um dentre os múltiplos problemas que afligem o Circulismo. Talvez, até seja o que exige maior urgência na sua resolução. Neste sentido, temos que buscar maneiras inteligentes e criativas para superar a falha antes que ela atinja um ponto sem retorno, se é que já não atingiu.  Lembro de passagem que o fenômeno não é apanágio nosso, ele está presente em grande parte das entidades do terceiro setor, mormente aquelas onde dirigentes trabalham como voluntários, sem obter vantagens de nenhuma espécie. É daí que vem minha luta pela profissionalização do Movimento em todos os aspectos.
Todavia, não será tão somente com a profissionalização que debelaremos esta crise. Para atrair militantes e gente capacitada a dirigir a Federação e os filiados é imperioso que estabeleçamos uma clara e interessante missão, assim como definamos objetivos que estejam coadunados com as necessidades que se apresentam em razão da dinâmica social. O voluntário de valor só se engaja em uma entidade social ou num movimento se tiver relevo comunitário ou prestar serviço de utilidade. Ninguém se alinha a projetos que não realizem serviço efetivo e guarde um traço de utopia, a esperança de consertar o mundo ou a possibilidade de mudar, às vezes, uma dura realidade local.
Por outro lado, faz-se urgente que levemos a filosofia de justiça social cristã às periferias das cidades, onde de fato começamos e onde mais precisam de nossa presença.  Hoje, a maioria dos círculos está situada em pontos urbanizados, onde, ou mal ou bem, os serviços básicos foram satisfeitos ou pelo governo ou por associações específicas.
A caminhada para as franjas da cidade começou a ser trilhada por esta diretoria e por mim, em particular, mesmo que ainda timidamente. Fizemos em 2012 e 2013 uma tentativa em Ferraz de Vasconcelos, a pedido da própria prefeitura da cidade, mas, a burocracia acabou emperrando o projeto. Agora estamos empenhados em fundar, até o meio de 2015, um círculo numa grande favela denominada Comunidade Iguaçu, situada  na divisa de São Paulo com Santo André. Minhas visitas a esta população super carente me enchem de emoção e me trazem a certeza que este é o caminho a seguir. A unidade a que me refiro servirá como paradigma para a retomada do Movimento em São Paulo.
Um dos obstáculos que por muito tempo impediu desenvolver esta idéia era a questão legal, posto que queríamos, como continuamos querendo, ter absoluta soberania sobre os novos filiados, no que diz respeito à doutrina e objetivos. Ora, tendo o filiado seu próprio CNPJ e, portanto, submetido unicamente ao que determina o Código Civil, isto seria impossível legalmente. Se utilizássemos o CNPJ da Fetcesp, o filiado ficaria impossibilitado de reivindicar verbas e  assinar convênios com o Poder Público, pois o estatuto da Fetcesp não o permite.
A solução encontrada é aquela que aplicamos no Círculo de Sorocaba, qual seja, a sede da entidade é da Fetcesp. Esta é uma simples mas funcional solução. Os novos círculos terão CNPJs próprios, mas estarão instalados em sedes de propriedade ou alugadas pela Fetcesp e cedidas ao filiado em regime de comodato, com contrato que se renovará a cada troca de diretoria, tendo esta que ser aprovada pela Fetcesp sob pena de anulação do contrato.  Como somos titulares da marca e proprietários ou locadores das sedes, ficaremos em posição de exigir um alinhamento total nos programas que a unidade desenvolver ou, em última análise, fechá-la se assim decidirmos.  Por outro lado, o administrador de tal filiado será um profissional  competente admitido pela Fetcesp dentro do que rege a CLT. Ele só irá a campo depois de estágio em um dos filiados e na própria Federação.

Em resumo, o que pretendemos implementar é o seguinte: fundar círculos nas periferias das cidades, que serão instalados em sedes ou alugadas ou de propriedade da Fetcesp; implantar nestas unidades programas condizentes com as necessidades locais, dando preferência aos que tratam de idosos e à prevenção de drogas. Isso, no entanto, não impedirá que outros projetos sejam desenvolvidos. Aliás, os objetivos, como vimos falando, devem ser ajustados periodicamente ao sabor das necessidades e às possibilidades de se firmar convênios e captar verbas para que a unidade seja sempre útil e se torne autossustentável.
Aos céticos que consideraram nossos conselhos um capricho pessoal ou mera figura de retórica, permito-me contar um fato acompanhado por mim e pelo diretor Antonio Carrieri, aqui presente: uma entidade social do Ipiranga, fundada em 1921, dedicada desde sua fundação a prestar serviços médicos aos seus associados, foi encerrada oficialmente nesta semana, depois de ficar endividada a ponto de perder sua  sede na parte central do bairro, com valor aproximado de R$2 milhões. Os sócios remanescentes foram acolhidos pelo CTC de Vila Prudente em acordo mútuo, celebrado entre as duas diretorias. Eu nasci em 1936, através da assistência médica de um dos profissionais daquela entidade. Fui diretor da mesma durante quase 8 anos, isso entre 1980 e 1988. Na ocasião, já verificando os problemas que surgiam, sugeri ao presidente  atualizar os objetivos da entidade, pois os planos médicos e o INSS iriam “roubar” todo o corpo associativo. Infelizmente a  recomendação não foi aceita e minha previsão acabou acontecendo 30 anos depois. Hoje, o CTC de Vila Prudente tem 14 médicos, mas, num outro formato, que permite autossuficiência do departamento.
Voltando ao projeto dos novos círculos: o diretor responsável deverá captar verbas junto aos órgãos públicos, assim como junto ao comércio, indústria e instituições, para que sua entidade alcance a autossuficiência em três anos.
Mais um princípio que venho defendendo e que será posto em prática nestes novos filiados. O círculo deverá ter uma atuação política ativa e combativa, mas, democrática, pluralista e apartidária. Nesta linha será um porta-voz da comunidade, uma caixa de ressonância de suas reivindicações e uma tribuna de discussão dos problemas locais.
Para tanto, os responsáveis pela unidade devem ter uma visão política e social neutra, sem engajamento em partido ou facções.
Para que não passemos como certos políticos que só prometem e durante o mandato nada realizam, vou fazer um rápido retrospecto do trabalho que esta diretoria cumpriu no mandato que ora se encerra:

Todo patrimônio móvel e imóvel da Fetcesp, ou seja, os 21 apartamentos deste prédio, 15 garagens, o teatro e esta sede estão absolutamente conservados e com sua manutenção em dia. Não há dívidas, impostos e coisas similares pendentes, o que é raro entre entidades do terceiro setor.

Demos cobertura financeira e técnica a todos filiados, assim como visitamos quem nos convidou. Alguns mereceram atenção especial por questões específicas.

Realizamos um concurso de projetos e distribuímos R$75 mil aos participantes. Com alguns ajustes no processo, deveremos repetir a dose em 2016.

Dedicamo-nos à fundação do Círculo de Ferraz de Vasconcelos e só não atingimos a meta por problemas que fugiram a nossa responsabilidade.

Empenhamo-nos no reerguimento do Círculo de Santa Rita do Passa Quatro, mas, ainda não conseguimos este desiderato por questões legais que independem de nossa vontade.

Desenvolvemos um novo site na internet, com uma plataforma moderna e que permite a interação dos Círculos filiados. Com este mesmo objetivo, criamos uma página no Facebook, onde as atividades de todos os Círculos podem ser compartilhadas com milhares de usuários da rede.

Editamos todos os boletins Forças Novas apesar das poucas notícias enviadas pelos filiados. Aliás, achamos incompreensível esta atitude dos companheiros, numa época em que fotos e textos podem ser enviados com enorme facilidade por mensagens eletrônicas e redes sociais.

Por derradeiro, mas não menos importante, quero deixar um profundo agradecimento aos companheiros de diretoria e conselho fiscal que nunca se furtaram a ajudar e colaborar com trabalho e idéias. Vou citá-los um a um: João Rosa, José Faustino Jr., Renato Chiantelli, Pedro Pereira da Silva, Márcio Serrano, Leonel da Silva Guia, José Joaquim do Nascimento, Agenor Ortega Frederich, Luiz Carlos Peruchi, Urbano José Luchini, Givaldo dos Santos e Clayr Raffanini Jr. A nossa secretária Vera, sempre ativa e presente, e Dr. Luiz Denofri, responsável pelo Departamento Jurídico da Fetcesp.
Registro também nossos votos de pesar aos circulistas falecidos, professores Carlos Ernani Palheta Nunes e Caetano Bifoni, e dou boas vindas aos novos diretores Antonio Carrieri e Lidia da Conceição Cartona Kloss. A todos presentes meu muito obrigado e a promessa de dar tudo de mim para levar adiante e ao alto a bandeira do circulismo de São Paulo. Desejo a vocês e suas famílias um Bom Natal e Feliz 2015.

Peço a São José Operário e a Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças, patronos do Movimento, que nos guiem nesta caminhada.

Solicito ao senhor secretário a gentileza de lavrar o presente discurso em seu inteiro teor na ata de posse. Fica a critério dele citar o apêndice que falo sobre a entidade do Ipiranga.

Newton Zadra – 6 de dezembro de 2014.

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